7.1.07
A Apresentação do Livro do Dr. José Pedro Machado
Na continuação do artigo anterior, corroborando um comentário aqui deixado por um leitor antigo desta tribuna e sem presunção nenhuma, volto a afirmar que me tenho empenhado bastante na divulgação do nome e da obra de José Pedro Machado, já desde antes da sua morte e mais ainda depois dela. Considero que com tal determinação apenas cumpro a minha estrita obrigação.
Não somos assim tão pródigos em valores humanos que nos possamos dar ao luxo de deixar passar despercebido um vulto intelectual e cívico desta categoria. Seríamos indignos do seu exemplo, se tal acontecesse.
Por minha parte, continuarei este combate pela difusão e pelo reconhecimento da obra deste eminente intelectual português, paradigma de comportamento cívico a quaisquer títulos invocados, caso ainda mais extraordinário nos tempos frouxos, apagados de virtude em que vivemos.
A cerimónia singela que a Livraria Portugal organizou, na passada quinta-feira ao fim da tarde, com a modesta concorrência registada, quadra, no entanto, com o perfil ético do homenageado, superiormente frugal, espartano, como sempre o conhecemos, impassível e perseverante ante os mais variados óbices e dificuldades que se lhe ofereciam no caminho.
Se se tratasse da apresentação de uma qualquer futilidade mundana, teríamos provavelmente centenas de pessoas amontoadas até à porta do estabelecimento, como se tem visto ultimamente em tantos designados eventos que apenas anunciam escândalos ou perversidades.
Ainda assim, acorreram suficientes pessoas conhecedoras da figura do insigne académico homenageado, apreciadoras do seu trabalho e do seu exemplo cívico, que mostraram interesse e sensibilidade pelos valores intelectuais e éticos que ele exuberantemente demonstrou na sua longa prática quotidiana.
Ficámos até muito congratulados por termos sabido que a Academia Portuguesa da História pondera a hipótese de reeditar a tradução directa do árabe para a nossa língua do Alcorão feita por José Pedro Machado, obra singular e absolutamente pioneira em Portugal, tanto quanto julgo saber, em que este académico trabalhou afincadamente durante cerca de 15 anos até a dar à estampa em 1979.
Na altura, a obra volumosa, de mais de 750 páginas, que JPM, arabista emérito, enriqueceu com numerosas notas explicativas, em que ficou bem patente a sua vasta erudição filológica, nas suas diversas disciplinas complementares, foi editada sob o patrocínio da Junta de Investigações Científicas do Ultramar, com um prefácio do Dr. Suleiman Vali Mamede, então presidente da Comunidade Islâmica Portuguesa de Lisboa.
Rapidamente esta obra se esgotou, só estando hoje disponível em boas bibliotecas ou porventura nas estantes de um Alfarrabista mais criterioso. A Academia Portuguesa da História prestaria um serviço de inestimável valor cultural a toda a Comunidade se promovesse a reedição deste notável trabalho de José Pedro Machado.
O mesmo se poderia dizer de outras obras da autoria ou da coordenação de JPM, que se encontram há muito inacessíveis ao público leitor. Entre elas citarei o chamado Dicionário de Morais, em 12 grossos volumes, que ele ainda coordenou, na sua 10ª edição, de 1959, tendo contado também com a colaboração de Augusto Moreno e Cardoso Júnior.
Nesta portentosa obra está feita a mais abundante cópia de abonações de vocábulos usados por cultores exímios da Língua, de todas as épocas consideradas, e não quase só dos últimos dois séculos, como sucedeu com as abonações do recente Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, saído em 2001, na Editorial Verbo.
Este Dicionário da Academia, que havia parado na letra A, no longínquo ano de 1793, viu finalmente a luz do dia, na sua edição completa de 2001. Mas para isso teve de contar com largos subsídios financeiros da Fundação Calouste Gulbenkian, com dezenas de professores do Ensino Secundário dispensados a tempo inteiro pelo Ministério da Educação, bem como beneficiou da utilização da tecnologia mais recente adequada à elaboração deste tipo de obras.
Apesar de tantos meios e da reputada orientação do Prof. Dr. Malaca Casteleiro, Presidente do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Academia das Ciências, este importante Dicionário, pela sua capacidade caucionadora, saiu com inexplicáveis omissões, como por ex. : asinha/depressa, ao mesmo tempo que acolhia vocábulos, cujo uso sempre fora repudiado por professores de todos os graus de Ensino, como o célebre bué e outros – muitos – vocábulos espúrios ou chulismos de mau gosto, que apenas caberiam num dicionário de calão.
Várias pessoas chamaram a atenção para os incompreensíveis critérios do Prof. Malaca, entre eles, Vasco Graça Moura, que, com vários exemplos, demonstrou as incongruências dos mesmos presentes no tão conceituado dicionário.
Se tais deficiências não forem eliminadas em futuras edições, estaremos perante um caso de esbanjamento de recursos e de falta de sentido cívico, pela recusa em corrigir os erros apontados, alguns até de certa gravidade, totalmente condenáveis numa entidade que empresta uma aura de autoridade àquilo que sob a sua chancela se publica.
José Pedro Machado para editar os seus Dicionários dispunha apenas da sua cabeça, do seu honesto estudo, do papel, do lápis, da borracha e do impulso da sua capacidade de trabalho, sem computadores, sem CD, sem quaisquer outros meios potenciadores do seu empenho.
E, assim mesmo, ao longo dos anos da sua longa vida, foi dando à estampa imensos trabalhos de lexicologia e de lexicografia, sem gozar de dispensas laborais, de licenças ou de outras facilidades.
Se isto não merece distinção, não sei então o que o mereça. Por isso mesmo, remetemos em 2006 uma exposição à Chancelaria das Ordens Honoríficas, na Presidência da República, com vista à concessão de uma condecoração condigna, ainda que a título póstumo, no 10 de Junho, Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas, que teria de ser superior àquela que ele recebeu em 1996, o Grau de Grande Oficial da Ordem da Instrução Pública.
Existem vários casos precedentes, em que foram contemplados cidadãos com menos obra e sem o equivalente aprumo cívico de JPM. Não desistiremos de lutar por este objectivo. Testaremos de novo a solidez dos critérios das autoridades.
Para quem não tenha lido os anteriores artigos que aqui coloquei sobre a figura deste egrégio cidadão, figura de português impoluto, transcrevo a seguir a nota bio-bibiográfica correspondente, que, na sequência da sua morte, então elaborei.
AV_Lisboa, 06 de Janeiro de 2007
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Não somos assim tão pródigos em valores humanos que nos possamos dar ao luxo de deixar passar despercebido um vulto intelectual e cívico desta categoria. Seríamos indignos do seu exemplo, se tal acontecesse.
Por minha parte, continuarei este combate pela difusão e pelo reconhecimento da obra deste eminente intelectual português, paradigma de comportamento cívico a quaisquer títulos invocados, caso ainda mais extraordinário nos tempos frouxos, apagados de virtude em que vivemos.
A cerimónia singela que a Livraria Portugal organizou, na passada quinta-feira ao fim da tarde, com a modesta concorrência registada, quadra, no entanto, com o perfil ético do homenageado, superiormente frugal, espartano, como sempre o conhecemos, impassível e perseverante ante os mais variados óbices e dificuldades que se lhe ofereciam no caminho.
Se se tratasse da apresentação de uma qualquer futilidade mundana, teríamos provavelmente centenas de pessoas amontoadas até à porta do estabelecimento, como se tem visto ultimamente em tantos designados eventos que apenas anunciam escândalos ou perversidades.
Ainda assim, acorreram suficientes pessoas conhecedoras da figura do insigne académico homenageado, apreciadoras do seu trabalho e do seu exemplo cívico, que mostraram interesse e sensibilidade pelos valores intelectuais e éticos que ele exuberantemente demonstrou na sua longa prática quotidiana.
Ficámos até muito congratulados por termos sabido que a Academia Portuguesa da História pondera a hipótese de reeditar a tradução directa do árabe para a nossa língua do Alcorão feita por José Pedro Machado, obra singular e absolutamente pioneira em Portugal, tanto quanto julgo saber, em que este académico trabalhou afincadamente durante cerca de 15 anos até a dar à estampa em 1979.
Na altura, a obra volumosa, de mais de 750 páginas, que JPM, arabista emérito, enriqueceu com numerosas notas explicativas, em que ficou bem patente a sua vasta erudição filológica, nas suas diversas disciplinas complementares, foi editada sob o patrocínio da Junta de Investigações Científicas do Ultramar, com um prefácio do Dr. Suleiman Vali Mamede, então presidente da Comunidade Islâmica Portuguesa de Lisboa.
Rapidamente esta obra se esgotou, só estando hoje disponível em boas bibliotecas ou porventura nas estantes de um Alfarrabista mais criterioso. A Academia Portuguesa da História prestaria um serviço de inestimável valor cultural a toda a Comunidade se promovesse a reedição deste notável trabalho de José Pedro Machado.
O mesmo se poderia dizer de outras obras da autoria ou da coordenação de JPM, que se encontram há muito inacessíveis ao público leitor. Entre elas citarei o chamado Dicionário de Morais, em 12 grossos volumes, que ele ainda coordenou, na sua 10ª edição, de 1959, tendo contado também com a colaboração de Augusto Moreno e Cardoso Júnior.
Nesta portentosa obra está feita a mais abundante cópia de abonações de vocábulos usados por cultores exímios da Língua, de todas as épocas consideradas, e não quase só dos últimos dois séculos, como sucedeu com as abonações do recente Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, saído em 2001, na Editorial Verbo.
Este Dicionário da Academia, que havia parado na letra A, no longínquo ano de 1793, viu finalmente a luz do dia, na sua edição completa de 2001. Mas para isso teve de contar com largos subsídios financeiros da Fundação Calouste Gulbenkian, com dezenas de professores do Ensino Secundário dispensados a tempo inteiro pelo Ministério da Educação, bem como beneficiou da utilização da tecnologia mais recente adequada à elaboração deste tipo de obras.
Apesar de tantos meios e da reputada orientação do Prof. Dr. Malaca Casteleiro, Presidente do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Academia das Ciências, este importante Dicionário, pela sua capacidade caucionadora, saiu com inexplicáveis omissões, como por ex. : asinha/depressa, ao mesmo tempo que acolhia vocábulos, cujo uso sempre fora repudiado por professores de todos os graus de Ensino, como o célebre bué e outros – muitos – vocábulos espúrios ou chulismos de mau gosto, que apenas caberiam num dicionário de calão.
Várias pessoas chamaram a atenção para os incompreensíveis critérios do Prof. Malaca, entre eles, Vasco Graça Moura, que, com vários exemplos, demonstrou as incongruências dos mesmos presentes no tão conceituado dicionário.
Se tais deficiências não forem eliminadas em futuras edições, estaremos perante um caso de esbanjamento de recursos e de falta de sentido cívico, pela recusa em corrigir os erros apontados, alguns até de certa gravidade, totalmente condenáveis numa entidade que empresta uma aura de autoridade àquilo que sob a sua chancela se publica.
José Pedro Machado para editar os seus Dicionários dispunha apenas da sua cabeça, do seu honesto estudo, do papel, do lápis, da borracha e do impulso da sua capacidade de trabalho, sem computadores, sem CD, sem quaisquer outros meios potenciadores do seu empenho.
E, assim mesmo, ao longo dos anos da sua longa vida, foi dando à estampa imensos trabalhos de lexicologia e de lexicografia, sem gozar de dispensas laborais, de licenças ou de outras facilidades.
Se isto não merece distinção, não sei então o que o mereça. Por isso mesmo, remetemos em 2006 uma exposição à Chancelaria das Ordens Honoríficas, na Presidência da República, com vista à concessão de uma condecoração condigna, ainda que a título póstumo, no 10 de Junho, Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas, que teria de ser superior àquela que ele recebeu em 1996, o Grau de Grande Oficial da Ordem da Instrução Pública.
Existem vários casos precedentes, em que foram contemplados cidadãos com menos obra e sem o equivalente aprumo cívico de JPM. Não desistiremos de lutar por este objectivo. Testaremos de novo a solidez dos critérios das autoridades.
Para quem não tenha lido os anteriores artigos que aqui coloquei sobre a figura deste egrégio cidadão, figura de português impoluto, transcrevo a seguir a nota bio-bibiográfica correspondente, que, na sequência da sua morte, então elaborei.
AV_Lisboa, 06 de Janeiro de 2007
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José Pedro Machado
( N. em Faro a 08-11-1914 – F. em Lisboa a 26-07-2005 )
- Breve nota biográfica
José Pedro Machado nasceu no Algarve, na cidade de Faro, a 8 de Novembro de 1914. Veio ainda criança para Lisboa, acompanhando a deslocação do pai, militar da Marinha de Guerra Portuguesa. Aqui viveu a quase totalidade da sua existência, como filho adoptivo e dedicado da cidade, sem nunca esquecer, todavia, a sua amorosa província natal, à qual prodigalizou sobejas provas de carinho e devoção, de resto, profusamente correspondidas.
Habitou primeiro na zona de Alcântara - Santo Amaro, na Rua Bocage, actual Rua Amadeu de Sousa Cardoso, perto da Rua Luís de Camões, facto curioso, não despiciendo, como se verá adiante, quando se fizer referência às suas áreas predilectas de investigação filológica e literária.
Morou também na Lapa, na Rua S. Francisco de Borja, durante alguns anos, até se fixar mais tarde na encosta de uma das mais típicas e encantadoras colinas de Lisboa, junto à Graça, na Rua Leite de Vasconcelos, outro nome famoso e influente na sua vida profissional e académica.
Morou também na Lapa, na Rua S. Francisco de Borja, durante alguns anos, até se fixar mais tarde na encosta de uma das mais típicas e encantadoras colinas de Lisboa, junto à Graça, na Rua Leite de Vasconcelos, outro nome famoso e influente na sua vida profissional e académica.
Frequentou os Liceus Pedro Nunes, Passos Manuel e D. João de Castro, estabelecimentos de ensino de notáveis pergaminhos, na formação de gerações e gerações de portugueses, em que contactou com alguns excelentes Professores, que cedo lhe despertaram qualidades e vocações invulgares, proporcionando-lhe valiosa preparação para a entrada na Universidade.
De entre esses Mestres, deve salientar-se o nome do Professor Marques Braga, a quem JPM, ao longo da vida e em vários escritos seus, se há-de sempre referir com elevada estima e gratidão, pela benéfica influência que exerceu na sua futura vida profissional e académica.
Estudou depois na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se licenciou, em Filologia Românica, em 1938, com altas classificações, tendo logo revelado clara vocação de Filólogo, nas primeiras investigações aí desenvolvidas.
Em particular, essa vocação focalizou-se no estudo do Árabe, em que foi discípulo dilecto do insigne Mestre David Lopes, Professor que, na Universidade Portuguesa, se notabilizou como pioneiro e grande impulsionador dos estudos da Língua e Cultura Árabes. A tese de licenciatura de JPM – Comentários a Alguns Arabismos do Dicionário de Nascentes – incidiu, aliás, nesse tema, ainda hoje pouco cultivado em Portugal.
Destinava-se, como tudo indicava, a uma promissora carreira universitária, quando se iniciou como Assistente, na sua Faculdade de Letras, tendo chegado a estar nomeado, por parecer de dois dos mais ilustres Professores da Faculdade, David Lopes e Leite de Vasconcelos, para Leitor de Português, na Universidade de Argel, onde certamente aprofundaria – ainda mais – o seu gosto e o seu conhecimento da Língua e Cultura Árabes. Desafortunadamente, o desencadear da Segunda Guerra Mundial, nos primeiros dias de Setembro de 1939, acabaria por impossibilitar tão justificada nomeação.
Foi também naquela Faculdade que conheceu a que viria a ser sua mulher, a Professora Doutora Elza Paxeco, com ele co-autora da muito citada edição comentada do Cancioneiro da Biblioteca Nacional, antigo Colocci-Brancuti e, ela própria, pessoa de notável capacidade intelectual, tendo sido a primeira senhora doutorada em Letras pela Universidade de Lisboa (1938) e autora de diversos trabalhos de investigação que lhe granjearam igualmente merecida reputação, entre eles e além do já citado, o intitulado «Estudos em Três Línguas», Lisboa, 1945, obra hoje rara, só disponível em boas Bibliotecas ou em algum Alfarrabista criterioso.
Foi também naquela Faculdade que conheceu a que viria a ser sua mulher, a Professora Doutora Elza Paxeco, com ele co-autora da muito citada edição comentada do Cancioneiro da Biblioteca Nacional, antigo Colocci-Brancuti e, ela própria, pessoa de notável capacidade intelectual, tendo sido a primeira senhora doutorada em Letras pela Universidade de Lisboa (1938) e autora de diversos trabalhos de investigação que lhe granjearam igualmente merecida reputação, entre eles e além do já citado, o intitulado «Estudos em Três Línguas», Lisboa, 1945, obra hoje rara, só disponível em boas Bibliotecas ou em algum Alfarrabista criterioso.
Foi afastada da Universidade, em consequência de rivalidades, invejas e intrigas, conhecidas maleitas, mesquinhas mas deletérias, que costumam assolar os agitados bastidores universitários, comprovado mal de todos os tempos e de todas as Academias. Algo de grave se terá então passado, para ter levado Pedro Machado, em solidariedade, a demitir-se das suas funções de Assistente e, em alternativa, a ter preferido um lugar mais modesto, mas mais seguro, de Professor Efectivo do Ensino Secundário, naqueles espartanos tempos do começo da Segunda Guerra Mundial.
Assim a Universidade Portuguesa se privou de uma alta e certa vocação de investigador, designadamente, nas áreas da Filologia, da Literatura e da História, áreas em que, não obstante, ao longo da sua dilatada vida, Pedro Machado muito trabalhou, em condições menos adequadas, é certo, mas sempre com bons resultados, tanto mais brilhantes, quanto mais precárias ou menos favoráveis as condições de trabalho se lhe apresentaram.
Logo que licenciado, começou José Pedro Machado a colaborar em revistas especializadas de Filologia, a convite de Mestres que lhe reconheciam a capacidade intelectual, a cuidada preparação e a integridade de carácter, condições difíceis de encontrar reunidas, em plano elevado, em qualquer comum mortal, em qualquer época.
Na década de 40, escreve e edita vários volumes dedicados ao estudo da Língua Portuguesa, mas é em 1952 que surge a sua primeira grande obra, de autêntico Filólogo, o Dicionário Etimológico da LP, hoje com cinco volumes, que tem conhecido várias reedições, confirmando o interesse do vasto público por tema pouco estudado entre nós. Basta assinalar que, desde essa data, embora não sendo um trabalho perfeitíssimo, como há quem aponte, ainda nenhum outro português ousou publicar livro idêntico, ao contrário do que tem sucedido com os tradicionais dicionários generalistas da Língua Portuguesa.
No Brasil, foram também raros os que se aventuraram a tal empreendimento, embora, neste domínio, se deva reconhecer o grande mérito do trabalho pioneiro de Antenor Nascentes, de que Pedro Machado largamente aproveitou, no convívio intelectual e pessoal que com ele manteve ao longo da vida.
Em complemento ao Dicionário Etimológico de José Pedro Machado, deve citar-se o Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, em três volumes, obra importante, num campo em que, analogamente, não tem havido emulação entre nós. Trata-se de um tipo de obras que exige longa e esmerada preparação, em várias disciplinas complementares do saber filológico, da Língua à História, à Literatura, à Geografia, à Antropologia, etc., a par de uma fina perspicácia intelectual, capaz de desenredar termos e conceitos, por regra, envoltos em polémicas ou disputas, em que se ganham ou destroem reputações.
Lexicógrafo de largo fôlego, José Pedro Machado elaborou ou coordenou, ao longo de décadas, muitos Dicionários afamados da Língua Portuguesa, desde o mui conceituado Morais, um dos primeiros dicionários da Língua Portuguesa, continuamente actualizado desde 1789, da autoria de um brasileiro, António de Morais Silva, bacharel em Direito, pela Universidade de Coimbra, até ao Grande Dicionário da Sociedade da Língua Portuguesa, numa prova cabal da sua competência, sempre exercida com inquebrantável dedicação, arrostando com carências, dificuldades e até incompreensões diversas.
Outro notável trabalho seu veio a ser a tradução directa do Árabe, para a nossa Língua, do livro sagrado dos muçulmanos, o Alcorão, cujas profusas e minuciosas notas, pejadas de esclarecimentos, no domínio da História, da Língua, da Geografia e até da Religião, enriqueceram extraordinariamente a obra, inserindo-a no seu contexto cultural e histórico, para bem se compreenderem o seu significado e a sua importância.
Outro notável trabalho seu veio a ser a tradução directa do Árabe, para a nossa Língua, do livro sagrado dos muçulmanos, o Alcorão, cujas profusas e minuciosas notas, pejadas de esclarecimentos, no domínio da História, da Língua, da Geografia e até da Religião, enriqueceram extraordinariamente a obra, inserindo-a no seu contexto cultural e histórico, para bem se compreenderem o seu significado e a sua importância.
Nestas obras mais significativas da sua larga produção intelectual está bem patente toda a sua vasta e sólida formação, todo o seu ânimo empreendedor, que o levaram a meter ombros a trabalhos espinhosos, exigentes, arrojados e, invariavelmente, de escassa publicidade e diminuto prémio material.
Mencione-se também a sua continuada ligação à Livraria Portugal, por via da sua íntima amizade com um dos antigos proprietários e fundadores, Henrique Pinto, já falecido, igualmente espírito empreendedor, com apurado sentido cultural, no exercício da sua nobre função de livreiro, comprovado até na forma como soube atrair e conservar a cooperação de Pedro Machado no prestimoso Boletim dos Serviços Bibliográficos da Livraria, a que ele galhardamente emprestou toda a pujança do seu saber, numa escrita sóbria, mas rigorosa, elegante, na sua aparente simplicidade, cumprida com escrupulosa regularidade.
Aqui, mensalmente, desde a década de 50 do século passado, Pedro Machado publicava artigos de oportuna intervenção cultural, sobre múltiplos temas da Cultura Portuguesa, sobretudo, que, depois, a Livraria, fundada em 1941, reunia e editava em livro, com o título de «Factos, Pessoas e Livros», ao fim de cada década, nos aniversários da Empresa.
Foram, assim, publicados 4 volumes, que cobrem aquela colaboração até ao fim de 1990, tendo o 4º volume saído em 1991, na comemoração do cinquentenário da Livraria, completando-se, com a edição do 5º e último volume, a publicação da série «Factos, Pessoas e Livros», com os artigos elaborados por José Pedro Machado desde 1991 até Maio de 2005.
Hábito muito antigo de Pedro Machado foi também o de escrever na imprensa nacional e regional, nomeadamente, no Diário de Lisboa, Diário Popular, A Capital, no Jornal de Sintra, no Correio do Sul, n‘O Algarve, no Jornal do Fundão, no Diário de Notícias, onde, aliás, manteve, durante anos sucessivos, na década de 90 e início da actual, uma coluna dedicada a questões da Língua Portuguesa, verdadeiro oásis no deserto de esquecimento a que este tema tem sido votado nos principais órgãos de Comunicação Social, nos últimos decénios.
Desavisadamente, deixou o Diário de Notícias extinguir aquele potente farol cultural, que derramava a luz do seu imenso saber, numa tribuna sempre muito procurada, com um enorme volume de correspondência, prova irrefutável do interesse que a sua coluna despertava nos muitos leitores do jornal.
Colaborou também com o eminente filólogo, Padre Raul Machado, na preparação das suas populares Charlas Linguísticas, transmitidas pela Radio-televisão Portuguesa (1960), que a Sociedade da Língua Portuguesa posteriormente reuniu e editou em livro com as lições aí expendidas.
Analogamente, escreveu em revistas nacionais e estrangeiras, como o Bulletin Hispanique ( Bordéus ), a Revista Filológica do Rio de Janeiro, o Boletim de Filologia de Lisboa, a Revista de Portugal, a revista Ocidente, o Boletim Mensal da Sociedade da Língua Portuguesa, a revista Língua e Cultura da mesma Sociedade, etc.
Sem pretender carregar esta breve nota biográfica, citarei ainda a participação de José Pedro Machado em obras colectivas de forte impacte cultural, como a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, o Dicionário de História de Portugal, dirigido por Joel Serrão, a sua colaboração com a Comissão Científica da Academia das Ciências de Lisboa para o Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro de 1945.
Mencionarei igualmente a enorme simpatia e o elevado apreço com que os estudiosos brasileiros da Língua Portuguesa sempre se referiam a José Pedro Machado, como pessoalmente pôde verificar o Professor Joaquim Veríssimo Serrão, Presidente da Academia Portuguesa da História, quando com ele viajou, em Agosto de 1959, até Salvador da Baía, no Brasil, onde se realizou o IV Encontro Internacional de Estudos Luso-Brasileiros.
No volume recentemente editado por aquela Academia, por ocasião da homenagem que, em sessão especial, a 17 de Novembro de 2004, lhe prestaram, na passagem do seu 90º aniversário, foram reunidos diversos trabalhos em honra de José Pedro Machado. Num deles, em comovido e comovente texto, Veríssimo Serrão relata, com pormenor e genuína afeição, vários episódios do seu convívio com JPM, como igualmente atesta as numerosas provas de carinho que lhe foram prodigamente manifestadas pelos seus pares brasileiros.
Em texto do próprio José Pedro Machado, num livro intitulado «Ensaios Literários e Linguísticos», publicado em 1995, pela Editorial Notícias, ficou, aliás, bem assinalada, em particular, a grande amizade que o unia ao Mestre brasileiro, Antenor Nascentes, Professor ilustre, profundo conhecedor da Língua Portuguesa e autor também de um notável Dicionário Etimológico, no qual JPM se inspirou e de cujo estudo fecundo muito beneficiou para posteriormente elaborar o seu.
Na sessão especial referida, no final de 2004, a Academia Portuguesa da História decidiu elevar José Pedro Machado à categoria de Académico de Mérito daquela Instituição, após ter sido sucessivamente seu Sócio Correspondente e Académico de Número, distinguindo desta forma a sua prolífica e valiosa colaboração, nas diversas actividades em que estatutariamente participou.
Já antes, em 1999, esta prestigiosa Academia tinha proposto, ao então Ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, a atribuição de uma medalha de Mérito Cultural a JPM, que aquele favoravelmente despachou. Em 14-06-1996, fora também José Pedro Machado agraciado com o grau de Grande Oficial da Ordem da Instrução Pública.
Tendo sido membro de várias Instituições Culturais, como no fim do presente volume se indicará, em sucinto currículo que se agrega, possuía José Pedro Machado mais algumas distinções, mas ficou por prestar-lhe a mais significativa de todas, a da sua condecoração pública, no 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões, e das Comunidades, entidades a que ele tanto trabalho e saber dedicou ao longo da sua extensa e multifacetada vida. Camões e Portugal são temas predilectos, constantemente honrados na produção literária de José Pedro Machado.
Tendo sido membro de várias Instituições Culturais, como no fim do presente volume se indicará, em sucinto currículo que se agrega, possuía José Pedro Machado mais algumas distinções, mas ficou por prestar-lhe a mais significativa de todas, a da sua condecoração pública, no 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões, e das Comunidades, entidades a que ele tanto trabalho e saber dedicou ao longo da sua extensa e multifacetada vida. Camões e Portugal são temas predilectos, constantemente honrados na produção literária de José Pedro Machado.
Na verdade, o seu nome, ao lado da maioria dos já consagrados nesta data, nestes últimos 31 anos de Liberdade e Democracia, ressalta como uma evidência da justiça que ficou por prestar-lhe em vida.
Cumpre reparar, ainda que a título póstumo, esta lamentável falta do Portugal democrático, para com quem sempre o serviu com elevação, competência e dignidade, no Espírito, como na Ética, num comportamento cívico a todos os títulos irrepreensível.
Quero acreditar que ainda seja possível corrigi-la.
Honremos, pois, nessa imperiosa correcção, a digna memória de José Pedro Machado.
Um seu antigo aluno, amigo de sempre, profundamente grato do seu frutuoso magistério e do seu amável convívio.
Um seu antigo aluno, amigo de sempre, profundamente grato do seu frutuoso magistério e do seu amável convívio.
AV_Lisboa, 18 de Outubro de 2005
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Breve nota do Currículo e da Bibliografia do Dr. José Pedro Machado bem como das Agremiações Culturais de que era Membro.
( N. em Faro a 08-11-1914 – F. em Lisboa a 26-07-2005 )
Breve nota do Currículo e da Bibliografia do Dr. José Pedro Machado bem como das Agremiações Culturais de que era Membro.
( N. em Faro a 08-11-1914 – F. em Lisboa a 26-07-2005 )
Currículo abreviado :
- Licenciatura em Filologia Românica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1938.
- Curso de Ciências Pedagógicas, pela Universidade de Coimbra, em 1940.
- Membro da Comissão de Redacção do Vocabulário e do Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa (1938-1940).
- Assistente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1942-43.
- Professor Efectivo do Ensino Técnico, na Escola Industrial Afonso Domingues, mais tarde Escola Secundária Afonso Domingues.
- Director em exercício da Escola Industrial Afonso Domingues.
Membro das seguintes Agremiações Culturais :
- Academia Portuguesa da História.
- Sociedade Euclides da Cunha ( Paraná ).
- Instituto Histórico e Geográfico de S. Paulo.
- Academia Brasileira de Filologia.
- Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
- Academia Nacional de la Historia ( Venezuela ).
- Real Academia de la Historia ( Espanha ).
- Academia Real Sueca de Belas-Artes, História e Antiguidades.
- Academia de Marinha ( Lisboa ).
- Sócio de Honra da Sociedade da Língua Portuguesa.
Bibliografia Principal (não exaustiva ) :
- Alguns Vocábulos de Origem Arábica, 1939.
- Contemplação de S. Bernardo Segundo as Seis Horas Canónicas do Dia ( Texto do séc. XV).
- Comentários a Alguns Arabismos do Dicionário de Nascentes, 1940.
- Curiosidades Filológicas, 1940.
- Sintra Muçulmana, 1940.
- Évora Muçulmana, 1940.
- Gonçalves Viana, 1940.
- O Português do Brasil, 1942
- Elementos Hispânicos do Vocabulário Latino, 1943.
- Descobrimentos Portugueses, colaboração na monumental edição do Dr. João Martins da Silva Marques, seu Professor na Universidade, 1944.
- As Origens do Português, 1945.
- Breve História da Linguística, 1945.
- Origem da Língua Portuguesa de Duarte Nunes de Leão, 1945.
- Bases da Nova Ortografia, 1946.
- Cancioneiro de Évora, 1951.
- Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, 1952.
- Os Estudos Arábicos em Portugal, 1954.
- Gramática da Língua Portuguesa de João de Barros, 1957.
- Influência Arábica no Vocabulário Português, 1958.
- Grande Dicionário da Língua Portuguesa de António de Morais Silva, em 12 volumes, 10.ª edição, revista, corrigida, muito aumentada e actualizada, em colaboração com Augusto Moreno e Cardoso Júnior, 1959.
- Dicionário do Estudante, 1960.
- Os Mais Antigos Arabismos da Língua Portuguesa, 1961.
- Glossário de Termos Filológicos incluído na obra Estudos de Filologia Portuguesa do Doutor J. Leite de Vasconcellos, editado na Colecção Brasileira de Filologia Portuguesa, Livros de Portugal, Rio de Janeiro, 1961.
- Notas de Toponímia Portuguesa, 1962.
- Notas Etimológicas, 1963.
- Edição Comentada do Cancioneiro da Biblioteca Nacional, em oito volumes, em parceria com sua esposa, Elza Paxeco Machado, 1947-1964.
- Nótulas de Sintaxe Portuguesa, 1965.
- Elementos Arábicos no Vocabulário Técnico dos «Colóquios» de Garcia d’Orta, 1963.
- Cartas Dirigidas a David Lopes, coordenação e notas, 1967.
- Topónimos Estrangeiros em Fernão Lopes, 1967.
- Acerca do Nome Árabe de Lisboa em colaboração com Elza Paxeco, 1968.
- A Viagem de Vasco da Gama, de parceria com Viriato Campos, 1968.
- Ensaio sobre Faro no Tempo dos Mouros, 1971.
- Dicionários – Alguns dos seus Problemas, 1971.
- Dispersos de Carolina Michaëlis de Vasconcelos, em 3 volumes, 1969-1972.
- Tradução directa do Árabe do Alcorão, edição crítica, profusamente anotada e comentada, 1979, edição da Junta de Investigações Científicas do Ultramar.
- Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, 1981.
- Notas Camonianas, 1982.
- Grande Dicionário da Língua Portuguesa, 1984.
- Factos, Pessoas e Livros, 4 volumes, colectânea de artigos publicados no Boletim dos Serviços Bibliográficos da Livraria Portugal, desde 1953 a 1990. A publicação do 5º volume, contendo os artigos elaborados de 1991 até Maio de 2005, encontra-se no prelo.
- Vocabulário Português de Origem Árabe, Editorial Notícias, 1993.
- Ensaios Arábico-Portugueses, Editorial Notícias, 1994.
- Ensaios Literários e Linguísticos, Editorial Notícias, 1995.
- Palavras a Propósito de Palavras – Notas Lexicais, Editorial Notícias, 1995.
- Estrangeirismos na Língua Portuguesa, Editorial Notícias, 1996.
- Ensaios Histórico-Linguísticos, Editorial Notícias, 1996.
- O Grande Livro dos Provérbios, 1998.
- Breve Dicionário Enciclopédico da Língua Portuguesa, Dom Quixote, 1999.
- Grande Vocabulário da Língua Portuguesa, Âncora, 2000.
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- Licenciatura em Filologia Românica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1938.
- Curso de Ciências Pedagógicas, pela Universidade de Coimbra, em 1940.
- Membro da Comissão de Redacção do Vocabulário e do Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa (1938-1940).
- Assistente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1942-43.
- Professor Efectivo do Ensino Técnico, na Escola Industrial Afonso Domingues, mais tarde Escola Secundária Afonso Domingues.
- Director em exercício da Escola Industrial Afonso Domingues.
Membro das seguintes Agremiações Culturais :
- Academia Portuguesa da História.
- Sociedade Euclides da Cunha ( Paraná ).
- Instituto Histórico e Geográfico de S. Paulo.
- Academia Brasileira de Filologia.
- Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
- Academia Nacional de la Historia ( Venezuela ).
- Real Academia de la Historia ( Espanha ).
- Academia Real Sueca de Belas-Artes, História e Antiguidades.
- Academia de Marinha ( Lisboa ).
- Sócio de Honra da Sociedade da Língua Portuguesa.
Bibliografia Principal (não exaustiva ) :
- Alguns Vocábulos de Origem Arábica, 1939.
- Contemplação de S. Bernardo Segundo as Seis Horas Canónicas do Dia ( Texto do séc. XV).
- Comentários a Alguns Arabismos do Dicionário de Nascentes, 1940.
- Curiosidades Filológicas, 1940.
- Sintra Muçulmana, 1940.
- Évora Muçulmana, 1940.
- Gonçalves Viana, 1940.
- O Português do Brasil, 1942
- Elementos Hispânicos do Vocabulário Latino, 1943.
- Descobrimentos Portugueses, colaboração na monumental edição do Dr. João Martins da Silva Marques, seu Professor na Universidade, 1944.
- As Origens do Português, 1945.
- Breve História da Linguística, 1945.
- Origem da Língua Portuguesa de Duarte Nunes de Leão, 1945.
- Bases da Nova Ortografia, 1946.
- Cancioneiro de Évora, 1951.
- Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, 1952.
- Os Estudos Arábicos em Portugal, 1954.
- Gramática da Língua Portuguesa de João de Barros, 1957.
- Influência Arábica no Vocabulário Português, 1958.
- Grande Dicionário da Língua Portuguesa de António de Morais Silva, em 12 volumes, 10.ª edição, revista, corrigida, muito aumentada e actualizada, em colaboração com Augusto Moreno e Cardoso Júnior, 1959.
- Dicionário do Estudante, 1960.
- Os Mais Antigos Arabismos da Língua Portuguesa, 1961.
- Glossário de Termos Filológicos incluído na obra Estudos de Filologia Portuguesa do Doutor J. Leite de Vasconcellos, editado na Colecção Brasileira de Filologia Portuguesa, Livros de Portugal, Rio de Janeiro, 1961.
- Notas de Toponímia Portuguesa, 1962.
- Notas Etimológicas, 1963.
- Edição Comentada do Cancioneiro da Biblioteca Nacional, em oito volumes, em parceria com sua esposa, Elza Paxeco Machado, 1947-1964.
- Nótulas de Sintaxe Portuguesa, 1965.
- Elementos Arábicos no Vocabulário Técnico dos «Colóquios» de Garcia d’Orta, 1963.
- Cartas Dirigidas a David Lopes, coordenação e notas, 1967.
- Topónimos Estrangeiros em Fernão Lopes, 1967.
- Acerca do Nome Árabe de Lisboa em colaboração com Elza Paxeco, 1968.
- A Viagem de Vasco da Gama, de parceria com Viriato Campos, 1968.
- Ensaio sobre Faro no Tempo dos Mouros, 1971.
- Dicionários – Alguns dos seus Problemas, 1971.
- Dispersos de Carolina Michaëlis de Vasconcelos, em 3 volumes, 1969-1972.
- Tradução directa do Árabe do Alcorão, edição crítica, profusamente anotada e comentada, 1979, edição da Junta de Investigações Científicas do Ultramar.
- Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, 1981.
- Notas Camonianas, 1982.
- Grande Dicionário da Língua Portuguesa, 1984.
- Factos, Pessoas e Livros, 4 volumes, colectânea de artigos publicados no Boletim dos Serviços Bibliográficos da Livraria Portugal, desde 1953 a 1990. A publicação do 5º volume, contendo os artigos elaborados de 1991 até Maio de 2005, encontra-se no prelo.
- Vocabulário Português de Origem Árabe, Editorial Notícias, 1993.
- Ensaios Arábico-Portugueses, Editorial Notícias, 1994.
- Ensaios Literários e Linguísticos, Editorial Notícias, 1995.
- Palavras a Propósito de Palavras – Notas Lexicais, Editorial Notícias, 1995.
- Estrangeirismos na Língua Portuguesa, Editorial Notícias, 1996.
- Ensaios Histórico-Linguísticos, Editorial Notícias, 1996.
- O Grande Livro dos Provérbios, 1998.
- Breve Dicionário Enciclopédico da Língua Portuguesa, Dom Quixote, 1999.
- Grande Vocabulário da Língua Portuguesa, Âncora, 2000.
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Comments:
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Mais uma vez, excelente trabalho, caro António. Não só nos aguça a curiosidade acerca das obras de JPM (nos tempos que correm a tradução do Al Corão para português vinha mesmo a propósito ...), como nos deixa a certeza de que ele próprio ficaria satisfeito se pudesse observar a forma como um seu antigo discípulo sabe merecê-lo. Bem hajas.
Jorge Oliveira
Jorge Oliveira
Mais uma vez, esta "pequena" nota biogáfica deixou-me desconcertado. Pelos vistos, andei toda a vida muito distraído...
Você sempre defendendo as "letras" e os escritores. Belíssimo gesto!
Você deletou o texto de 28 de dezembro? Foi o último onde comentei e não o encontro por mais que role a página para cima e para baixo. Sumiu! Ou estou enganada?
Parabéns por este volumoso, bem escrito e bem documentado texto!
Sinto-me orgulhosa em receber suas visitas e seus comentários, eu, tão pequena entre os pequenos!
MUITOS ABRAÇOS,
Bisbilhoteira.
Você deletou o texto de 28 de dezembro? Foi o último onde comentei e não o encontro por mais que role a página para cima e para baixo. Sumiu! Ou estou enganada?
Parabéns por este volumoso, bem escrito e bem documentado texto!
Sinto-me orgulhosa em receber suas visitas e seus comentários, eu, tão pequena entre os pequenos!
MUITOS ABRAÇOS,
Bisbilhoteira.
Com tristesa aprendi graças à esta pagina o desaparecimento de José Pedro Machado. Para mim foi o professor que mais me marcou pela sua vivacidade e elegancia intelectuais. Fui aluno dele em 1964/65 na Escola Afonso Domingues. Estou em Paris desde 1966 onde sou empresario, formado pela Sorbonne (master finanças e organisacao aplicada) e pela HEC (executive MBA)... graças a JPM que me transmitiu o gosto do saber.
Lamento nao me ter acordado antes e reve-lo antes da sua morte.
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Lamento nao me ter acordado antes e reve-lo antes da sua morte.
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